quarta-feira, 9 de julho de 2014

O Inescrito


De um tempo para cá, muito tem se visto de adaptações das obras clássicas, principalmente os contos de fadas que todos conhecemos, em contos passados e adaptados ao mundo real. Temos o exemplo da HQ que começou todo esse fuor: Fábulas e temos várias séries e filmes baseados nestes mundos ou com fortes ligações com estes como Once Upon a Time, Grimm entre outras. Então provavelmente do começo do novo milênio até hoje essas histórias já estão saturadas, certo? Bom, não é isso que veremos.

Algumas séries vêm para mudar o jeito que você olha para determinado assunto. O Inescrito (The Unwritten no original) criado por Mike Carey e Peter Gross é um bom exemplo deste fenômeno. A série conta a história de Tom Taylor (a curiosidade é que existe um escritor de HQ's com esse nome) que é o filho de Wilson Taylor, um escritor famoso e endeusado quase religiosamente por escrever uma série de livros de fantasia(que são muito baseados em Harry Potter) que contam a história do menino Tommy Taylor. Após a morte/sumiço do seu pai, Tom Taylor vive a vida de filho de celebridade visitando várias Comic-cons pelo país e odiando todo esse legado que ele não construiu, mas tem de seguir. De repente sua vida muda quando numa conferencia numa dessas convenções uma "repórter" chamada Lizzie Hexan diz na frente de todo mundo que ele talvez não seja quem pensa ser, que na verdade ele, como Tom Taylor, não existe e é uma farsa para ganhar dinheiro com sua fama. A repercussão é imediata e a partir daí as coisas degringolam e o mundo de fantasias que só existia nos livros parece se tornar cada vez mais real.


Ele encontra logo de cara o seu próprio Voldemort

Depois desse começo(isso acontece logo nas primeiras páginas do primeiro número) a história cresce de maneira absurda. O pai de Tom, Wilson, desde pequeno lhe ensinava fatos sobre livros e escritores (onde tal escritor escreveu tal livro, onde outro morou, onde outro morreu) que o menino odiava e depois de adulto bradava aos quatro cantos que tudo que o pai havia lhe ensinado era inútil. Pois bem não vou estragar a experiência de vocês dizendo detalhes, porém Tom encontra amigos e inimigos no caminho e descobre uma conspiração que envolve as histórias que a gente conhece muito bem da literatua mundial. Há edições em que ele visita a Alemanha nazista(pela visão de um livro dessa época), outra que ele visita a história de Moby Dick e até uma história em que Rudyard Kipling é o centro das atenções. A piração de Carey e Gross vai longe e se amarra com primor.

Até o coelho de Alice aparece de modo nunca visto antes.

Recomendo demais essa série. É uma HQ com o selo Vertigo, ou seja, com temática mais adulta e que faz cada linha de livro que eu li até hoje valer a pena e faz com que eu sinta ainda mais vontade de ler os clássicos. Esqueça essas adaptações fofinhas de livros para quadrinhos que cortam as grandes verdades escritas ali e apenas se atém a linha da história. O Inescrito pega todas essas histórias e suas verdades e coloca todo mundo pra dançar no (não tão) maravilhoso mundo literário.

Um show a parte: as capas de Yuko Shimizu

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